No ano em que a RTP completa 53 anos, o Festival da Canção chega à sua 46ª edição. E que melhor maneira para comemorar tanta longevidade de serviço público, a não ser com aquele que é, de acordo com José Fragoso, o director de programação do canal, o “maior evento que há na RTP, que ganhou na divulgação da música portuguesa”, um programa com uma vasta tradição, mas que a RTP está a “tentar renovar”, como referiu José Fragoso. As inovações já vêm desde o ano passado, nomeadamente no sistema de votação implantado: júri distrital e televoto. Este ano, a grande mudança é a criação de duas semi-finais, antes da grande final e, nesta edição, implementaram um “conceito novo na selecção de canções na Internet”, explica o director de programação. Esta última mudança deve-se essencialmente ao facto de as canções que eram enviadas para a RTP serem escolhidas por um júri da estação e as pessoas não tinham contacto com elas. “Depois de uma pré-selecção, colocámos as canções na Internet. As pessoas que votaram, decidiram os 24 finalistas que vieram aqui às duas semi-finais”, explica José Fragoso.
Mas quererão significar estas mudanças, uma aproximação ao modelo do Festival da Eurovisão? Admitindo que sim, o director, revela que a RTP encara o programa como o “grande evento anual”. Segundo Carla Bugalho, produtora de conteúdos do programa, “era também importante adaptar o formato em Portugal a um mais parecido com o da Eurovisão”. Dado que anteriores direcções do canal público ponderaram, acerca da realização ou não deste certame, José Fragoso assegura que este “deverá continuar”, pois é um “grande evento da música portuguesa, um grande programa de televisão e um grande momento de festa também para os que gostam do Festival”.
De acordo com o director de programação, o Festival tem, agora, um peso maior, devido ao e elevado investimento que nele está a ser feito desde o ano transacto, nomeadamente na aposta nas novas tecnologias. “O ano passado recebemos mais de 300 músicas e este ano recebemos mais de 400 músicas, dessas saíram 30 e, depois de uma votação na Internet saíram 24”, explicita. Destas 24, apenas uma sairá vencedora e vai representar Portugal no Festival Eurovisão da Canção.
Esta edição do concurso fica na História, por ser a primeira a ter transmissão integral em alta-definição. “Este ano temos aqui este facto histórico do ponto de vista da tecnologia, com a vantagem da alta-definição e há muitos espectadores que já viram as semi-finais em alta-definição”, ressalva. Quanto a esta novidade, o director garante já ter recebido “muitas reacções de pessoas que enviaram mensagem a dizer que era completamente diferente”. Em resumo, tudo isto “ajuda os intérpretes a fazer dos seus minutos de intervenção, grandes momentos de televisão”, finaliza.
A apresentadora que não se senta na “cadeira bafienta”
Sílvia Alberto é a anfitriã do evento pelo terceiro ano consecutivo, desta feita no palco do Campo Pequeno. Recordando estas três edições, a apresentadora faz um balanço positivo, salientando que, neste ano, “o sentimento é melhor”. No entanto, vai uma especial recordação para o seu primeiro Festival. “Estava na expectativa de me juntar ao grupo de fantásticos apresentadores que, na altura, há 43 edições defendiam este Festival da Canção”, relembra com emoção.A mudança de ares é vista com bons olhos pela apresentadora. Na sua opinião, o Campo Pequeno tem maior capacidade, além de ser “maravilhoso”, revela. ”A verdade é que o Teatro Camões sempre nos recebeu muito bem, mas é um espaço mais pequeno e as pessoas que queriam assistir não podiam todas estar presentes. Ficavam sempre de fora, era uma confusão”, salienta.
Quanto à qualidade dos intervenientes nesta festa, a comunicadora diz não sentir grandes diferenças a nível de talento, em comparação com anos anteriores. Neste ponto de vista, a verdadeira diferença nota-se no “espírito que se vive. Existe, neste momento um reavivar da chama. Parece-me que eles estão muito motivados, ansiosos e estão verdadeiramente a viver esta competição com muita intensidade. Talvez uma intensidade que eu acho que o Festival tinha perdido nos últimos anos”, enaltece. Segundo Sílvia Alberto, o esforço da RTP na renovação já colhe os seus frutos. “Os 50% que correspondem à parte da RTP estão conquistados. Para mim é esta a dimensão que o Festival tem que ter. Depois, do ponto de vista dos talentos que participam, ainda pode haver também uma evolução”, aponta.
A mudança do formato, passando agora a haver duas semi-finais e uma final, faz com que o trabalho da apresentadora triplique. Apesar de tudo ser muito bem estudado nas transmissões, Sílvia Alberto garante que há sempre espaço para o improviso. “Há toda uma quota-parte de improviso que, para mim, é sempre 10% dos 100% de todo o trabalho. Trabalhamos muito e muito bem e, depois, deixamos espaço para podermos improvisar”, conta. Além disso, a comunicadora garante ser estritamente necessário “dormir bem na noite anterior para estar muito bem-disposta”.
A RTP tem introduzido uma série de inovações no Festival, de forma a renovar um conceito já tradicional. Sílvia Alberto, devido ao facto de ser a cara do programa, é também o rosto desta renovação, o que a agrada. “É bom, porque durante muitos anos, eu fui sempre o rosto mais novo de uma estação. E, agora, surgiram imensos rostos novos e é engraçado ver como o tempo passa depressa, e nós que éramos os benjamins da estação, já temos colegas mais novas que nós e a trabalhar”, explica, mostrando o seu contentamento por ainda dirigir as hostes do festival. “Senti que não estou velha. E que ainda não fui substituída, o que é muito agradável”, acrescenta. Na sua opinião, na RTP os profissionais são “excelentes” e são o “exemplo que quem não se senta na cadeira bafienta”.
Às voltas com a produção
A primeira transmissão em alta-definição tem a particularidade de marcar esta edição em que se regressa às três galas, com duas semi-finais e uma final, e ainda uma mudança para o Campo Pequeno. Isto significa um acréscimo acentuado de trabalho para toda a produção. Para Sónia Diogo, uma das integrantes da equipa a trabalhar no Festival, as principais dificuldades foram “as condições sonoras, os próprios artistas no palco se ouvirem correctamente”, dado que o som é muito forte e “há muitos ecos”. Nos camarins, também, houve condicionamentos. “Embora seja um espaço muito grande e que dá para muitos assistentes, não há camarins separados para cada um dos intérpretes”, narra. A opção pelo Campo Pequeno resultou, de acordo com Sónia Diogo, devido ao “facto de poder vir muito público e do calor que se sente na sala ser fantástico. Se calhar compensa os menos camarins que temos”, diz. De acordo com Carla Bugalho, produtora de conteúdos, o palco para o Campo Pequeno “acabou por ser construído à medida”. Sendo um espaço muito vasto, tudo teve que ser feito à medida do Campo Pequeno. “Não pode ser um palco normal, não pode ser uma plateia normal”, confirma.No que diz respeito aos meios utilizados, Carla Bugalho explica que têm usado mais meios, quer a nível de grafismos, quer de iluminação. “Para nós é sempre mais bonito e melhor”, conta sorrindo.
Quanto ao televoto, comenta que já o usaram no ano anterior, juntamente com os júris distritais. A ideia é, assim, aproximar o sistema de voto português ao utilizado na Eurovisão: “Duas semi-finais com votação do público e, depois, uma final com votação do público e do júri distrital”. Relativamente aos resultados desta novidade, está optimista. “Vamos ver como voto do júri distrital resulta com os votos do público. Mas acho que resulta”.
Sendo a alta-definição uma aposta pioneira, torna-se necessário gerir materiais de trabalho. “Para já estamos a trabalhar com o carro HD. É um carro que esteve connosco no Euro 2004 e está adaptado para espectáculos e outras coisas que não espectáculos”. Além disto, “o próprio palco tem uma constituição muito exigente, devido ao próprio formato e ao painel com gráfico e luz”. Quanto aos recursos humanos, Carla Bugalho conta: “temos mais pessoas a trabalhar porque são três espectáculos, durante mais dias, são mais concorrentes. Enfim, temos bastante mais gente a trabalhar do que no ano passado”.
Questionada sobre as motivações que levaram a construir o novo palco, a produtora comenta: “Mesmo que não fosse em alta-definição o palco seria assim”. Ressalta que com a alta-definição é possível fazer muito mais e tirar mais partido, do infografismo.
José Poiares, chefe da delegação portuguesa na Eurovisão, explica a dimensão deste espectáculo, quer a nível da cenografia, meios e público. “É mais caro, tem mais meios envolvidos, mas de qualquer forma é outro impacto”, confirma. “Apostámos um bocado em ter mais impacto, em ter um espectáculo maior, um espectáculo mais vivo, em desfavor de um outro espaço que seja mais pequeno e, portanto, mais limitado”, salienta.
No que diz respeito ao novo formato de votação, José Poiares explica ter surgido para permitir,
”à semelhança do que se passa com a Eurovisão, falar durante uma semana do Festival, afinal este é um produto que interessa aos portugueses e interessa ao nosso país”, conclui.
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